— Estou tentando servir de inspiração. Preparar sua alma negra para a grande aventura à sua frente. — Virou-se e olhou para ele. — Não que você precise disso. Imagino que já esteja com o futuro bem-planejado, muito bem-planejado. Deve ter até um fluxograma ou coisa assim guardado em algum lugar.
— Até parece.
— Então, o que você vai fazer? Qual é o seu grande plano?
— Bom, meus pais vão guardar minhas coisas na casa deles, depois vou passar uns dias no apartamento de Londres, ver alguns amigos. Depois França...
— Muito legal...
— Depois talvez China, ver o que acontece por lá, quem sabe ir até a Índia, viajar um pouco pelo país...
— Viajar — ela suspirou. — Tão previsível.
— O que há de errado em viajar?
— É mais uma forma de fugir da realidade.
— Eu acho que a realidade é algo muito superestimado — contestou, esperando que a frase soasse cínica e carismática.
— Até parece.
— Então, o que você vai fazer? Qual é o seu grande plano?
— Bom, meus pais vão guardar minhas coisas na casa deles, depois vou passar uns dias no apartamento de Londres, ver alguns amigos. Depois França...
— Muito legal...
— Depois talvez China, ver o que acontece por lá, quem sabe ir até a Índia, viajar um pouco pelo país...
— Viajar — ela suspirou. — Tão previsível.
— O que há de errado em viajar?
— É mais uma forma de fugir da realidade.
— Eu acho que a realidade é algo muito superestimado — contestou, esperando que a frase soasse cínica e carismática.
Ela fungou.
— É, imagino que sim, para quem pode pagar. Mas por que não dizer simplesmente: “Vou tirar umas férias de dois anos”? É a mesma coisa.
— Porque viajar amplia os horizontes — respondeu ele, apoiando-se sobre um cotovelo e dando um beijo nela.
— Ah, acho que os seus horizontes já estão bem ampliados — comentou ela, virando a cabeça para o outro lado, ao menos naquele momento.
Os dois se ajeitaram outra vez no travesseiro. — De qualquer forma, eu não estava falando do que você vai fazer no mês que vem, estava falando do futuro mesmo, sei lá...
— É, imagino que sim, para quem pode pagar. Mas por que não dizer simplesmente: “Vou tirar umas férias de dois anos”? É a mesma coisa.
— Porque viajar amplia os horizontes — respondeu ele, apoiando-se sobre um cotovelo e dando um beijo nela.
— Ah, acho que os seus horizontes já estão bem ampliados — comentou ela, virando a cabeça para o outro lado, ao menos naquele momento.
Os dois se ajeitaram outra vez no travesseiro. — De qualquer forma, eu não estava falando do que você vai fazer no mês que vem, estava falando do futuro mesmo, sei lá...
— Fez uma pausa, como se vislumbrasse uma ideia fantástica, uma quinta dimensão. — Quando você tiver uns quarenta anos. O que você quer ser quando tiver quarenta anos?
— Quarenta? — Ele pareceu se debater com aquele conceito. — Não sei. Será que posso responder “rico”?
— Mas isso é tão superficial.
— Está certo. Então, “famoso”. — Começou a esfregar o nariz no pescoço dela. — Um pouco mórbido tudo isso, não?
— Não é mórbido, é... fascinante.
— Quarenta? — Ele pareceu se debater com aquele conceito. — Não sei. Será que posso responder “rico”?
— Mas isso é tão superficial.
— Está certo. Então, “famoso”. — Começou a esfregar o nariz no pescoço dela. — Um pouco mórbido tudo isso, não?
— Não é mórbido, é... fascinante.
Trecho do livro UM DIA. Escrito por DAVID NICHOLLS e sucesso absoluto no Reino Unido

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