No segundo livro na qual leio da escritora Elizabeth Gilbert aprendi coisas e as entedi de uma maneira clara, talvez na teoria, sobre relacionamento. O livro COMPROMETIDA aborda sua vida após o livro Comer Rezar Amar ter sido um Best-Seller e ela uma das cem pessoas mais influentes do mundo, tratando com total delicadeza e de uma maneira tão profunda o tema CASAMENTO.
 Apesar de ter me identificado bastante com o Best-Seller, minha curiosidade foi imensa por querer saber se o seu trauma pós-divórcio foi curado, como foi a repercussão do seu livro e filme e, se com quase quarenta anos essa mulher ainda se sente aventureira com suas mochilas nas costas viajando o mundo inteiro.
Nesse segundo livro ela realmente se casou (por livre e expontânea pressão do Departamento de Seguranca Interna dos EUA), e com todo esse medo de se separar de Felipe ela vai fundo viajando, pesquisando, entrevistando tribos para saber o que e o matrimônio, o que ele oferece a cada cultura e o que espera de cada esposa. (Acreditem estatísticamente falando: as mulheres não são beneficiadas em um casamento e pela profundidade que ela aborda isto, tal revelação me deixou chocada. Mesmo assim, eu caso. rsrs)
O que mais me chamou atenção no decorrer da leitura foi na parte em que é citada Mitologia Grega. Confesso que nunca fui fã, mas não por não gostar e sim por nunca pegar ou procurar um livro para ler, completamente falta de interesse pelo assunto, porém quando li isto em "COMPROMETIDA", fiquei fascinada pela sua "veracidade", obviedade. Eis aqui a parte que aborda sobre um corpo, duas almas, uma separacao e um relacionamento mitologicamente falando:

(...) "Há muito, muito tempo, conta Aristófanes, havia deuses no céu e seres humanos na terra. Mas nós, seres humanos, não éramos como somos hoje. Tínhamos duas cabeças, quatro pernas e quatro braços: em outras palavras, éramos a fusão perfeita de duas pessoas, unidas de forma inteiriça num único ser. Havia três variações sexuais possíveis: fusões macho/fêmea, fusões macho/macho e fusões fêmea/fêmea., dependendo do que combinasse melhor com cada criatura. Como já tínhamos o parceiro perfeito costurado no próprio tecido do nosso ser, éramos todos felizes. Assim, todos nós, criatura de duas cabeças e oito membros, perfeitamente satisfeitas, percorríamos a terra como os planetas viajam o céu: sonhadores, ordeiros, sem sobressaltos. Não sentíamos falta de nada; não tínhamos necessidades desatendidas; não queríamos ninguém. Não havia conflito nem caos. Éramos inteiros. Mas em nossa inteireza, ficamos excessivamente orgulhosos e com esse orgulho deixamos de adorar os deuses. O poderoso Zeus nos puniu pela negligência cortando ao meio todos os seres humanos de duas cabeças, oito membros e total satisfação, criando assim um mundo de criaturas sofredoras e cruelmente separadas, com uma cabeça, dois braços e duas pernas. Nesse momento de amputação em massa, Zeus impôs a humanidade a mais dolorosa condição humana: a sensação surda e constante de que não somos inteiros. Pelo resto da eternidade, os seres humanos nasceriam sentindo que faltava alguma coisa - e que essa parte que faltava estava por aí, em algum lugar, girando pelo universo na forma de outra pessoa. Também nasceríamos acreditando que, se procurássemos sem parar, talvez um dia encontrássemos aquela metade sumida, aquela outra alma. Pela união com o outro, voltaríamos a completar a nossa forma original e nunca mais sentiríamos a solidão.
 Essa é a fantasia singular da intimidade humana: um mais um, de certa forma, algum dia será igual a um.
Mas Aristófanes avisou que a realização desse sonho de completude pelo amor é impossível. Como espécie, estamos despedaçados demais para que algum de nós consiga encontrar de novo a metade que falta. A união sexual pode fazer alguém se sentir temporariamente completo e saciado (Aristófanes conjecturou que Zeus deu aos seres humanos o DOM DO ORGASMO POR PENA, especificamente para que pudéssemos nos sentir unidos de novo por algum tempo e nao morrêssemos de depressão e desespero) - (ESSA É  BOA rsrs), mas, no fim das contas, ficaremos sozinhos. Assim, a solidão continua, O QUE NOS LEVA A VÁRIAS UNIÕES COM PESSOAS ERRADAS EM BUSCA DA UNIÃO PERFEITA. Às vezes, podemos até acreditar que achamos a outra metade, mas o mais provável é que tenhamos achado alguém em busca da sua metade, alguém igualmente desesperado para acreditar que encontrou em nós a completude.
 É ASSIM  QUE NASCE A PAIXÃO. (...)"




Aristófanes e Zeus

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