Eleven months On The Road

Achava estranho quando assistia nos filmes aqueles personagens que sentavam em um "Coffe Shop", compravam um Cappuccino e passavam horas em seus notebook's ou lendo um agradável livro e escutando uma relaxante música ambiente. Me parecia meio esquisito, soava sem nexo, desconexo, mas sempre tive vontade de entender e pagar para ver.
Com essa minha nova vida, descobri o quanto é gostoso fazer isto, sentar nesses "Coffe Shop" pedir um "Hot Chocolate", tirar o livro da bolsa e tentar não ver o tempo passar. O que, para mim, era coisa de leso, quem virou a lesa fui eu. Em meio a tanta correria que meus dias tem se passado, em meio a tantas coisas que a cabeça, automaticamente, não pára de pensar, entre ônibus e metrô, estações e mais estações, sempre sobra um intervalinho em que digo: "Essa é a hora do meu Café". Quinze minutos, uma lida rápida e de volta à correria.
"On The Road" é o livro que está me levando a esses Hot Chocolate no momento. O fascínio, a loucura, a vontade e o desejo de viver de corpo e alma em uma estrada  é que o Pai da geração beat, Jack Kerouac, conta em seus relatos manuscritos, com pouquíssimas vírgulas e pontos, sobre as viagens que fez com seu amigo atravessando os EUA.  Um livro, que ao virar a página, esbanja ainda mais a vontade de viver como e onde estou.
Onze meses já se passaram desde que cheguei aqui. Uma vida mudou desde que meu coração começou a bater forte por essa louca vontade de querer viver só, a mania de querer ser sempre do contra, o vício da solidão, a saudade acostumada e algo muito importante: o auto-conhecimento.
Não dá para descrever em que sentido minha cabeça mudou - seja para melhor ou para pior, mas a cada dia que passa consigo enxergar até que ponto meus limites, minhas forças, minhas vontades são capazes de me levar, acreditando que tudo isso é apenas o começo de uma vida que eu quero ter, seguir, mesmo longe das pessoas que mais amo.
 Talvez eu possa até voltar a mesma, se um dia eu voltar, mas tenho certeza de que a cada segundo que passo aqui, consigo me conhecer e me surpreender cada vez mais.  TUDO ESTÁ SE TORNANDO VÁLIDO!

"(...)Assim, na América, quando o sol se põe, eu me sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey, e consigo sentir toda aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão, até a costa oeste, e a estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando naquela imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças
devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe que Deus é a Ursa Maior? A estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da noite completa, que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia, e ninguém, ninguém sabe o que vai
acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice. Penso então em Dean Moriarty, penso no velho Dean Moriarty, o pai que jamais encontramos, penso em Dean Moriarty.(...)"

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